“Pergunta-se freqüentemente se o Yoga é uma forma de religião e qual a precisa relação que entre eles existe.
É um grave erro considerar o yoga uma forma de religião diferente de outras religiões do mundo. Admitem os hindus que todas as religiões, em sua essência, são uma espécie de yoga, uma vez que ajudem o homem a atingir a união com deus ou a integração com a existência. O yoga convoca o homem a sobrepor-se a todas as teorias e dogmas favoritos, e a apartar-se das crenças sectárias e observâncias ritualísticas. Estas erguem barreiras entre um homem e outro, e fomentam divisão e dissensão em nome do amor e da unidade. O yoga apela para a harmonia espiritual de toda a humanidade. As pessoas que pertencem a diferentes seitas religiosas podem, proveitosamente, praticar o Yoga sem abandonar sua filiações religiosas particulares e sem ter de se submeterem a qualquer espécie de batismo ou conversão. Para a prática do yoga nem sequer é necessário que se tenha fé em Deus, já que se põe de lado qualquer determinada concepção de Deus. Até um cético ou ateu pode beneficiar-se da prática do Yoga, com a única condição de que tenha um sincero desejo de conhecer a verdade e a boa vontade para viver de acordo com a sua visão dessa mesma verdade. O requisito básico para a prática do yoga é a sinceridade de propósito e uma vontade resoluta para realizar uma compreensiva investigação no reino do espírito.
Seja qual for a crença religiosa que professemos, o yoga visa a transformar tal crença na realização pessoal da verdade. O yoga não é uma questão de crença; é aquela oculta expansão da consciência que resulta na percepção direta da essência da realidade. Não é submissão às injunções das escrituras ou a algum padrão sociocultural estabelecido, mas uma realização progressiva da plena liberdade de espírito interno. Busca converter a dúvida em introspecção crítica e a fé em experiência viva.
Em certo sentido o yoga é uma espécie de religião universal. Isto não significa que seja um sistema universal de dogmas e credos. Por sua própria natureza, não pode admitir nenhum credo universal. Todos os credos se relacionam a diferentes indivíduos e comunidades diferentes. Relacionam-se às circunstâncias especiais de diversas áreas geográficas e épocas históricas. O yoga é enfático em sua afirmação da relatividade de todos os credos. São eles relativamente válidos para auxiliar os diferentes indivíduos e comunidades a alcançar a auto-realização com base na realidade. O yoga é religião universal na medida em que ressalta a identidade dessa meta suprema de todo o esforço espiritual; consiste na integração satisfatória com a realidade. Pode-se também descrevê-lo como assimilação existencial da verdade.
Podemos, igualmente, definir o yoga como uma espécie de espiritualidade universal que está além de todas as religiões. É uma orientação espiritual não-religiosa. Admite que, quando um hindu atinge o supremo objetivo do seu esforço espiritual, ou seja, a integração com a verdade, deixa de ser um simples hindu. Embora tenha nascido hindu, torna-se um cidadão do mundo ou homem cósmico. Ao alcançar a meta do hinduísmo, verifica que esta é também a meta final de outras grandes religiões. Assim, o hinduísmo preencheu a finalidade de sua vida, mas ele vai além do hinduísmo. (…). Os rótulos humanos não podem mais restringi-lo. Ele se transforma num homem cósmico. O mesmo acontece com um budista sincero, um sincero muçulmano etc. As múltiplas religiões são como inúmeros barcos que ajudam as diversas pessoas a cruzar o rio da ignorância e da alienação. Ao alcançarem a outra margem, elas abandonam o barco. Chega-se à conclusão de que a essência de sabedoria que existe na outra margem é idêntica. É este conceito de identidade espiritual do destino do homem − este ideal de integração cósmica com a base da existência − que constitui o fundamento do Yoga.”
Texto extraído integralmente do livro “Yoga Integral” de Haridas Chaudhuri
Namastê
Gledson Silva
P.S.: Deixem seus comentários após o sinal. Beeeeeeeeeeeeeeeeeeeee……
Eu amo essa foto de Shiva que vc colocou!!!
Minha imagem preferida.
Gostei do texto.
Com amor,
Beta
Concordo, mas se o professor do cara resolver tocar um mantrinha pra Shiva ou Ganesha ao final da aula, o aluno pode ficar com aquela cara de paisagem… Rs…